Que filme, que história! Nada diferente do clichê pão com ovo de sempre, casalzinho apaixonado e final…
Começo esse conto em um sábado a noite, um sábado como era de costume, o carro estacionado na deserta praia a noite, a trilha sonora de sempre, aquele ar de que o mundo é um lugar de paz, as ondas do mar quebrando la longe, e as luzes da cidade dividindo o cenário com a solitária luz da lua. Banco de trás, mãos aquecidas uma na outra, coração tranquilo. E uma música diferente do costume começou a tocar, tão melancolicamente que era impossível ignorar o que ela queria dizer: “Aproveite, esta é a última vez.” 
A doce menina tão cegamente apaixonada, sentiu a mudança, mas não queria acreditar e então passaram-se dias e sim o fim que parecia tão distante chegou, tão lentamente que a cada dia após o adeus ela sentia a perca de cada fragmento de sua alma, mas por que doía tanto? Ela nunca soube responder. 
O rapaz confuso talvez, já planejando talvez, isso ninguém sabe, seguiu em frente e rapidamente preencheu o espaço vazio que tinha outra vez. 
Passavam-se dias e aquela garota que tinha fama de superar rápido encontrava-se num estado cada vez mais lamentável, era uma pena, trancou o coração em um baú e decidiu que ele permaneceria intocável até ela se sentir como antes. Ela fez de tudo, se importou até não poder mais, depois resolveu ignorar, depois agiu indiferentemente até não sentir nada. Então preencheu o vazio dela com bebidas alcoólicas e mais noites de sexta-feira, mas foi o pior, o monstro parecia ganhar mais forças dessa maneira. 
O garoto apenas seguiu a sua vida. 
E então o domingo de manhã chegou, havia luz da manhã, havia paz, e principalmente, não havia dor no coração daquela mulher. Ela saiu da cama, colocou os pés no chão e percebeu que seu bosque-não-encantado continuava no mesmo lugar. As melhores coisas continuavam dentro de si, ela ainda podia abrir os braços, dançar sozinha no mundo, e deixar aquelas sensações ruins se apagarem com o tempo juntamente com as lembranças de alguém que não existia mais. 
Acho que no final feliz o que nasceu foi o amor próprio. 





Devagar, sua louca criança! Você é tão ambiciosa para uma jovem, mas se você é tão esperta, me diga porque continua com tanto medo? Onde está o fogo? Pra quê a pressa? É melhor você aproveitar isso antes que você perca. Você tem muito o que fazer e tão poucas horas em um dia. Você não sabe que quando a verdade é dita você pode conseguir o que quer ou pode apenas envelhecer? Você vai desistir antes mesmo de passar metade do caminho, quando você perceberá? Viena espera por você. Devagar, você está indo bem! Você não pode ser tudo o que você quer ser, antes do seu tempo, embora isso seja tão romântico no limite de hoje a noite, hoje a noite. Tão ruim, mas é a vida que você segue, você está tão à afrente de si mesma que esqueceu o que precisa, embora você possa ver quando você está mal. Sabe, você nem sempre saberá quando você está bem, bem. Você tem sua paixão. Você tem seu orgulho, mas você não sabe que apenas tolos ficam satisfeitos? Sonhe, mas não pense que todos os sonhos se realizarão. Quando você vai perceber? Viena espera por você… Devagar, sua criança louca! Tire o telefone do gancho e desapareça por um tempo, tudo bem, você pode permitir-se perder um dia ou dois. Quando você vai perceber? Viena espera por você.





Imagina uma montanha russa, você entrou em um carrinho e se sentou, no inicio sentiu-se desconfortável, o banco era duro, começava por uma subida sem fim e você só tinha um ferro na sua frente funcionando como trava de segurança. A partida foi dada, e o carrinho começou a subir por aqueles trilhos que pareciam não ter fim. Aos poucos você foi se acostumando com a subida e deixando seus problemas para trás, até que de repente tudo desaparece. O carrinho, o banco desconfortável, os trilhos, e principalmente, a barra de segurança não estão mais ali. Só resta a si mesmo e um abismo, como se aqueles trilhos nunca tivessem existido. Você perde o ar, você precisa gritar e pôr para fora essa agonia que só cresce em você, mas você está tão preocupado em entender o porque dos trilhos sumirem que não consegue dizer absolutamente nada. Você sabe que se entrou em uma montanha russa com uma subida muito alta, a queda seria equivalente a altura, mas os trilhos estariam ali, você estaria apoiado no carrinho e ainda haveria a barra de segurança, e no fim o carrinho voltaria para o começo disso tudo. E então você teria a opção de descer e procurar algo mais agradável, ou se a adrenalina valesse a pena, poderia começar tudo de novo. O problema com o abismo é que você não tem escolha senão cair até chegar ao chão para retomar o impulso ou morrer de vez.







Dor não descreve esse vazio que tem habitado em mim. Um eco aterrorizante que se divide entre o estomago, o coração e a boca, talvez. Não é falta de comida antes que você pense, até tenho comido demais para ver se isso passa, mas já passou de um estado físico há muito tempo. Na verdade, o emocional tem se refletido no físico e eu quase não me reconheço mais. Olhos fundos, cansados e escuros onde até pouco tempo atrás era um rosto livre de marcas. Eu não me reconheço mais, eu não sei como é ser completamente feliz tem um bom tempo. É uma preocupação sem fim com quase tudo. E o que torna muito pior é ver meus sonhos ficarem cada vez mais distante. Isso não é só dor, tem um pouco de desespero junto, um pouco de solidão. Eu sempre dei o melhor de mim, por isso estou tão desgastada. Eu só não sei o que fazer. Eu só não quero me perder pelo caminho.



Não é uma sensação ruim, não é um pressentimento. São lembranças antigas, sensações antigas, sendo chamadas com o dia de hoje que eu nem havia percebido que chegou ao amanhecer. É possível que uma decepção que você nem se importa mais, seja capaz de te transformar pelo resto da sua vida? Eu sinto que seja assim. Eu sei que passou, que acabou, que eu não penso em nada relacionado aquele lugar, aqueles dias, aquelas pessoas, mas quando tudo isso terminou, eu mudei de tal forma que não me reconheço como antes. Se não fosse essas bagagens, esses dias que se perderam com o tempo, também não seria eu. E sinceramente, mesmo que hoje a lembrança de tudo me traga sentimentos ruins, eu fico feliz por saber que fui tão forte a ponto de passar por tudo isso, e ainda relembrar com gargalhadas de vez em quando. É, creio que isso faz parte de crescer, mas o caminho fica na memória e as cicatrizes assombram para você saber como seguir em frente quando precisar de uma base novamente.



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