Devagar, sua louca criança! Você é tão ambiciosa para uma jovem, mas se você é tão esperta, me diga porque continua com tanto medo? Onde está o fogo? Pra quê a pressa? É melhor você aproveitar isso antes que você perca. Você tem muito o que fazer e tão poucas horas em um dia. Você não sabe que quando a verdade é dita você pode conseguir o que quer ou pode apenas envelhecer? Você vai desistir antes mesmo de passar metade do caminho, quando você perceberá? Viena espera por você. Devagar, você está indo bem! Você não pode ser tudo o que você quer ser, antes do seu tempo, embora isso seja tão romântico no limite de hoje a noite, hoje a noite. Tão ruim, mas é a vida que você segue, você está tão à afrente de si mesma que esqueceu o que precisa, embora você possa ver quando você está mal. Sabe, você nem sempre saberá quando você está bem, bem. Você tem sua paixão. Você tem seu orgulho, mas você não sabe que apenas tolos ficam satisfeitos? Sonhe, mas não pense que todos os sonhos se realizarão. Quando você vai perceber? Viena espera por você… Devagar, sua criança louca! Tire o telefone do gancho e desapareça por um tempo, tudo bem, você pode permitir-se perder um dia ou dois. Quando você vai perceber? Viena espera por você.





Imagina uma montanha russa, você entrou em um carrinho e se sentou, no inicio sentiu-se desconfortável, o banco era duro, começava por uma subida sem fim e você só tinha um ferro na sua frente funcionando como trava de segurança. A partida foi dada, e o carrinho começou a subir por aqueles trilhos que pareciam não ter fim. Aos poucos você foi se acostumando com a subida e deixando seus problemas para trás, até que de repente tudo desaparece. O carrinho, o banco desconfortável, os trilhos, e principalmente, a barra de segurança não estão mais ali. Só resta a si mesmo e um abismo, como se aqueles trilhos nunca tivessem existido. Você perde o ar, você precisa gritar e pôr para fora essa agonia que só cresce em você, mas você está tão preocupado em entender o porque dos trilhos sumirem que não consegue dizer absolutamente nada. Você sabe que se entrou em uma montanha russa com uma subida muito alta, a queda seria equivalente a altura, mas os trilhos estariam ali, você estaria apoiado no carrinho e ainda haveria a barra de segurança, e no fim o carrinho voltaria para o começo disso tudo. E então você teria a opção de descer e procurar algo mais agradável, ou se a adrenalina valesse a pena, poderia começar tudo de novo. O problema com o abismo é que você não tem escolha senão cair até chegar ao chão para retomar o impulso ou morrer de vez.







Dor não descreve esse vazio que tem habitado em mim. Um eco aterrorizante que se divide entre o estomago, o coração e a boca, talvez. Não é falta de comida antes que você pense, até tenho comido demais para ver se isso passa, mas já passou de um estado físico há muito tempo. Na verdade, o emocional tem se refletido no físico e eu quase não me reconheço mais. Olhos fundos, cansados e escuros onde até pouco tempo atrás era um rosto livre de marcas. Eu não me reconheço mais, eu não sei como é ser completamente feliz tem um bom tempo. É uma preocupação sem fim com quase tudo. E o que torna muito pior é ver meus sonhos ficarem cada vez mais distante. Isso não é só dor, tem um pouco de desespero junto, um pouco de solidão. Eu sempre dei o melhor de mim, por isso estou tão desgastada. Eu só não sei o que fazer. Eu só não quero me perder pelo caminho.



Não é uma sensação ruim, não é um pressentimento. São lembranças antigas, sensações antigas, sendo chamadas com o dia de hoje que eu nem havia percebido que chegou ao amanhecer. É possível que uma decepção que você nem se importa mais, seja capaz de te transformar pelo resto da sua vida? Eu sinto que seja assim. Eu sei que passou, que acabou, que eu não penso em nada relacionado aquele lugar, aqueles dias, aquelas pessoas, mas quando tudo isso terminou, eu mudei de tal forma que não me reconheço como antes. Se não fosse essas bagagens, esses dias que se perderam com o tempo, também não seria eu. E sinceramente, mesmo que hoje a lembrança de tudo me traga sentimentos ruins, eu fico feliz por saber que fui tão forte a ponto de passar por tudo isso, e ainda relembrar com gargalhadas de vez em quando. É, creio que isso faz parte de crescer, mas o caminho fica na memória e as cicatrizes assombram para você saber como seguir em frente quando precisar de uma base novamente.



É, a que ponto chegamos não é? Sentir falta dela, da voz irritante quando reclamava sobre você e até dos olhos mareados que eram capaz de sorrir só com um pedido calmo de desculpas. Quantas vezes passamos por isso não foi? E quantas vezes ela disse que iria embora, mas sempre voltou. Dessa vez, você não acreditou e olha, meses sem ouvir sua voz, pelo menos diretamente. A última vez, só de lembrar, chega a doer no peito. Ela prendia o choro, prendia os gritos, mas pedia sua atenção. Falava algo sobre cansaço, sobre magoa, sobre não aguentar mais, e o que você grande idiota fez? Prestou atenção no filme que já havia assistido milhões de vezes. E ela disse: “Chega, eu sou melhor do que isso!” E foi a única frase que você foi capaz de ouvir, a única frase que foi capaz de escutar e então se desculpou, mas já era tarde. A maior parte de suas roupas estavam enfiadas na mochila, menos o vestido que ela usou no parque naquele dia. Mesmo chovendo, mesmo tendo que voltar para casa cedo, ela vinha sorrindo e dançando na chuva, incrível que mesmo dizendo que estava parecendo um poodle, ficava linda. “Amor…” Mesmo tentando chamá-la calmamente, ela fazia o mesmo que você há minutos atrás, não ouvia. E então puxou a blusa larga, jogou na cama e virou-se para pegar o vestido ainda úmido. Finalmente a via, seu corpo era lindo, a pele macia e a linha nas costas que deixava o seu quadril tão sugestivo, não lhe permitiu resistir a ela. Mesmo levantando e tocando suas costas nuas pela última vez, ela parecia não sentir. E não escutou nenhuma só palavra que dizia. Você viu que era tarde, mas não ligou, ela sempre voltava mesmo. Mas não dessa vez, colocou a mochila nas costas, saiu embaixo da chuva, com seus habituais chinelos, uma cena que isolada da situação chegava a ser engraçada. Ela era incrível e mais do que só os seios, ou o corpo bonito, como ela dizia para você reparar. Mesmo sabendo disso, não demonstrou se importar. E agora, meses depois conversa comigo, a única coisa que ela deixou para trás, o bichinho de pelúcia que ela disse que dormiria abraçada quando você não estivesse com ela. Hoje, vimos claramente que ela não precisa de mim, muito menos de você, porque aquele homem que a levou numa biblioteca num sábado a tarde, a fez sorrir em um único minuto como ela nunca sorria para nós dois. E finalmente você foi capaz de entender, perdeu a mulher que investiu o limite da confiança que tinha em ti, numa tentativa de felicidade a dois, e mesmo assim foi estúpido não a procurando por orgulho, quem me dera ser capaz de te socar, para ver se você acordaria enquanto havia tempo, mas ele se foi e ela também.





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